sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Távola

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Atribuído a Carlos Drummond de Andrade,
mas é de Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Carlos Drummond de Andrade

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Tyler

Afinal, você já sabe que:

"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden; Clube da Luta)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

help

Certa vez pensei eu, ao ver tantas noticias e reportagens com suicidios, latrocínio, fratricídio, trafico e etc, q seria bom se as pessoas fossem boas umas com as outras, apenas para variar.
pensei (utopicamente) q se eu fosse bom com os demais eles seriam bons comigo tbm, seria uma ajuda mutua, e reciproca. Fui ingenuo, tolo, e egoista.
Ingenuo, assim como j.j Rousseau, pensei q o homem era bom, todavia a sociedade o corrompe. balburdia, o homem é o animal mais corrompido q ha, é uma praga entre seu meio, é o ser mais viu cruel e malvado q ha, mas terrivel q a "terrivel besta voral de traal". ele ( o homem) é burrocratico, estupido e sado-masoquista. Adora ver uma destruiçaozinha causada por ele mesmo, apenas para criar mais documentose e leis, mais q estupidas, para nao funcionarem e as tragedias continuarem a acontecer. e isso é oq uma amiga minha diria ser: " humano, demasiado humano", concordando com um certo filosofo alemao., e eu nao via isso, pobre garoto ingenuo, acreditava poder fazer o homem ser bom, e filantropo.
Tolo, e em demasia. pois alem de nao ver isso tudo q retrato acima, eu acreditava piamente, q poderia ser bom com demais e criar uma "corrente do bem", isso por si soh ja é tolo, parece o bispo macedo, mas sem o R$ q ele ganha com isso. e tentei assim iniciar a corrente do bem, estupido, apenas pedradas levei, pois "zoopolitikon" (animal politico em grego, como chamava, aristoteles, o homem) é vil, e cruel, e escuta funk, e se apodera de tudo oq lhe oferecem e nao retribuem, nada; simplesmente nada tive de retorno, nao foi uma corrente, pois os humanos, assim como os virus, apenas consomem, nao doem e nem constroem, apenas destroem.
e Egoista, totalmente, como se pode ver nas escritas acima, queria eu ser o novo messias, para poder ser o rei do novo mundo, exercer meu desejo de potencia, e nao via isso, ou talvez, nao quisesse ver, mas hj vejo, como eu era estupido. e tambem egoista por querrer a "corrente do bem", pois assim eu queria a retribuiçao, apenas, nao fazia o bem apenas por faze-lo, pois eu fazia para ser retribuido, nao era eu um filantropo, e sim, como diria a minha a amiga: "humano demasiado humano". ela pode estar certa, ou nao. eu estava pensando em mim e apenas em mim, e nao nos demais da sociedade, pois, eu queria ser o rei, o elo primeiro da corrente para onde todos deveriam revenciar. estupido ao extermo. e queria é saborear do fruto disso tudo, pois queria q as pessoas me tratassem bem, nao queria fazer o bem para os outros apenas, ams na verdade queria fazer para mim mesmo.

e isso tavez seja humano demasiado humanos, ou talvez, nao seja nada, simplesmente nada demais. pois certa vez em um filme historico escutei a seguinte frase: " um dia vc vai se arrempender de nao ter feito um pouco de mal, em prol de um bem maior".
e a ocasiao q isso foi dito era interressante, pois era no principio de uma guerra.
mas esse texto fica para a proxima.

sera q nada; simplesmente nada, vale a pena?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

nada

nada : nada.

mas o q é o nada, na grecia antiga um cara disse q o nada nao existe, um filosofo alemao disse q é do nada q tudo vem, mas afinal oq é o nada?
quando alguem pede para nós:" oq foi?" e nós respondemos: "nada". oq realmente estamos faland?
oq é nada, a ausencia de algo, ou de tudo?
se é a ausencia de tudo, logo para os q creem em algum deus, o nada realmente nao existe, pois deus esta em todos os lugares, entao se nao ha lugar sem deus, logo nao ha lugar vazio, entao nao ha um nada, la.
mas se falamos no nada, estamos falando de algo, se estamos falando de algo quer dizer q talvez ele exista, ou ao menos a idea a cerca dele exista, entao ele tem q ser algo.
mas como seria o nada?
ele é por inteiro ou em partes? sera q nós mesmo nada somos?
por muito ja pensei nisso, q o nada q pensamos talves nao seja o nada realmente, pois somos parte do nada, somos nada, somos vazios ocos, e sem ecos, pois nao ha eco no nada, pode ser q o nada seja tudo, assim como o filosofo alemao falou certa vez. é uma intrinseca mistura q a psique humana nao consegue compreender, eu acho.
é complicado falar de algo metafisico, memso q a metafisica esteja mais proxima de nós q a empiria, ainda é commplicado, pois nos acostumamos com o pensamento iluministada razao, da ciencia, da empiria.
mas sera q nossos sentidos realmente sao confiaveis?
q essa droga do critiscismo ocidental, essa maneira cetica de pensar, como tenho é complicada, pois a unica coisa q nao nos abando na é a duvida, e isso soh aumenta nssos problemas internos, e nossa falta d compreensao interna.
chegamos assim à lugar algum, e a todos ao mesmo tempo, uma sensaçao muito estranha, muito complexa de ser e estar. talvez seja esse o nada, nada pensar, nada defender, nada aceitar, tudo duvidar, nada ser.. nada; simplesmente nada, pode ser afirmado, penso, nem sempre é sinal de existencia, ou acho, mas posos estar completamente enganado, e sabe oq eu vou fazer pra tentar entender isso? nada; simplesmente nada, pois nao utilidade alguma para as pessoas e para a Terra. e se vc me perguntar qual a importancia da Terra. eu te dirrei, nenhuma simplesmente nenhuma. pois os valores sao criaçoes, e as criacoes nao tem valor algum, nao sao nada, simplesmente nada, ou como diria uma amiga:"ou nao".

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Enquanto milhões de árabes se acotovelam em Meca, unidos na única certeza de Alá, nós estamos sós. Não temos Alá; só temos o cinema americano, nossas religiões são ralas, não nos prostam a rezar para Meca, como lagartixas felizes cinco vezes por dia; vivemos dentro da angustiante democracia liberal, que nos amaldiçoa com esta liberdade inútil. Por isso, Amélie Poulain me inspirou uma lista de conselhos de auto-ajuda para nos devolver uma abjeta e deliciosíssima felicidade neste mundo sinistro.
Eia! Avante, românticos sofredores, cidadãos nostálgicos do Bem, aqui vai um Alcorão substituto, um guia de sobrevivência na selva global. O princípio básico é o "Não" - a negação de evidências, a técnica de nada ver, a "conduta de evitação", como fazem os fóbicos. "Não" olhar a miséria nas ruas, evitar os menininhos nos sinais cariocas, principalmente a nova invenção dos pequenos desgraçados, fazendo malabarismos com três bolinhas para ganhar esmola, menininhos esfarrapados diante de BMWs indiferentes.
"Não" olhar mães com nenéns no colo nos meios-fios e, se por acaso, entrarem em nosso campo de visão, imediatamente convocar a moral de classe média de que "essas mães podiam trabalhar, mas não o fazem por preguiça de enfrentar um tanque de roupa". "Não" ver noticiários, nem ler os jornais ácidos e veristas; não ver, por exemplo, os desgraçados sem-teto que serão expulsos à bala no Pará, enquanto o Jarbas Barbalho tem habeas-corpus. Diante da injustiça, blindar-se, lixar a alma, laquear o coração.
Mas, não pensem que somente a "alienação" é um bom procedimento. Podemos ser felizes também com "ideologias". Por exemplo, diante da tal "globalização" da economia, podemos ter duas atitudes. Uma, é acreditar, lívidos de certeza, que o livre mercado vai tirar o homem de suas dores e que a riqueza choverá sobre os emergentes, como festas da uva. Esperança neoliberal. Ou, então, cheios de entusiasmo, como em Porto Alegre, acreditar que homens e mulheres com camisetas de Guevara e tocando o tambor de Mercedes Soza ou com as "veias abertas" de amor pela América Latina, como Galeano, conseguirão reverter a exclusão e a fome, apenas pelo dom mágico das palavras de ordem. Esperança de "esquerda".
São as delícias do auto-engano: nas duas posições, de olhos vidrados, arfantes de certezas, evitaremos o incômodo de ver a evidente vitória do capitalismo mais bruto. Dica de felicidade: esquecer a Arte. Isso mesmo. Essa tal de "Arte" que sempre nos evocou um ideal de harmonia, essa saudade da natureza da qual nos exilamos, essa fome de eternidade tem de acabar de uma vez por todas. Abaixo Bach, Goya, Shakespeare, Rimbaud e toda uma lista negra de velhos idiotas. Devemos nos banhar nos filmes americanos, nas audições de axé music, de pagodes e raps, de bundas e garrafas, até o momento em que, tomados pela revelação pós-moderna, exclamarmos em lágrimas: "Sim, sim, Schwarzenegger, sim, techno music, sim Celine Dion, sim Phillipe Starck, sim Grisham, sim, eu vi a luz! Aleluia!" Outra dica: tirar da cabeça o velho hábito ocidental do criticismo. Aceitar tudo que nos é oferecido, com lábios trêmulos de gratidão: "Sim, sim, Silvio Santos, sim, Ratinho, sim, Edir Macedo, sim, obedecemos..."