Aqui jazem pensamento e ideias, nao apenas minhas, mas tbm de grandes genios do mundo, como Arthur Schopenhauer, Douglas Adams, Nietzsche, Paltao, Aristoteles, Rousseau, Foucault, Reneé Descartes, Locke, Voltaire, Montainge, Hume, Socrates, Heiddeger e outros.
Leiam, comentem, se algo valer apenas,
mas aqui, nada: simpesmente nada, tem valor.
ou nao.
PS.: Eu escrevo e posto, nao olho os erros de português, prefiro deixar o texto nu e cru tal cmo saiu de minha mente.
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.
Eu te amo porque te amo, Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.
"Você abre a porta e entra Está dentro do seu coração Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você Esta é sua vida É a última gota pra você Melhor do que isso não pode ficar Esta é sua vida Que acaba um minuto por vez Isto não é um seminário Nem um retiro de fim de semana De onde você está não pode imaginar como será o fundo Somente após uma desgraça conseguirá despertar Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser Nada é estático Tudo é movimento E tudo esta desmoronando Esta é sua vida Melhor do que isso não pode ficar Esta é sua vida E ela acaba um minuto por vez Você não é um ser bonito e admirável Você é igual à decadência refletida em tudo Todos fazendo parte da mesma podridão Somos o único lixo que canta e dança no mundo Você não é sua conta bancária Nem as roupas que usa Você não é o conteúdo de sua carteira Você não é seu câncer de intestino Você não é o carro que dirige Você não é suas malditas calças Você precisa desistir Você precisa saber que vai morrer um dia Antes disso você é um inútil Será que serei completo? Será que nunca ficarei contente? Será que não vou me libertar de suas regras rígidas? Será que não vou me libertar de sua arte inteligente? Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo? Digo: você precisa desistir Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro Esta é sua vida Melhor do isso não pode ficar Esta é sua vida e ela acaba um minuto por vez Você precisa desistir Estou avisando que terá sua chance"
Certa vez pensei eu, ao ver tantas noticias e reportagens com suicidios, latrocínio, fratricídio, trafico e etc, q seria bom se as pessoas fossem boas umas com as outras, apenas para variar. pensei (utopicamente) q se eu fosse bom com os demais eles seriam bons comigo tbm, seria uma ajuda mutua, e reciproca. Fui ingenuo, tolo, e egoista. Ingenuo, assim como j.j Rousseau, pensei q o homem era bom, todavia a sociedade o corrompe. balburdia, o homem é o animal mais corrompido q ha, é uma praga entre seu meio, é o ser mais viu cruel e malvado q ha, mas terrivel q a "terrivel besta voral de traal". ele ( o homem) é burrocratico, estupido e sado-masoquista. Adora ver uma destruiçaozinha causada por ele mesmo, apenas para criar mais documentose e leis, mais q estupidas, para nao funcionarem e as tragedias continuarem a acontecer. e isso é oq uma amiga minha diria ser: " humano, demasiado humano", concordando com um certo filosofo alemao., e eu nao via isso, pobre garoto ingenuo, acreditava poder fazer o homem ser bom, e filantropo. Tolo, e em demasia. pois alem de nao ver isso tudo q retrato acima, eu acreditava piamente, q poderia ser bom com demais e criar uma "corrente do bem", isso por si soh ja é tolo, parece o bispo macedo, mas sem o R$ q ele ganha com isso. e tentei assim iniciar a corrente do bem, estupido, apenas pedradas levei, pois "zoopolitikon" (animal politico em grego, como chamava, aristoteles, o homem) é vil, e cruel, e escuta funk, e se apodera de tudo oq lhe oferecem e nao retribuem, nada; simplesmente nada tive de retorno, nao foi uma corrente, pois os humanos, assim como os virus, apenas consomem, nao doem e nem constroem, apenas destroem. e Egoista, totalmente, como se pode ver nas escritas acima, queria eu ser o novo messias, para poder ser o rei do novo mundo, exercer meu desejo de potencia, e nao via isso, ou talvez, nao quisesse ver, mas hj vejo, como eu era estupido. e tambem egoista por querrer a "corrente do bem", pois assim eu queria a retribuiçao, apenas, nao fazia o bem apenas por faze-lo, pois eu fazia para ser retribuido, nao era eu um filantropo, e sim, como diria a minha a amiga: "humano demasiado humano". ela pode estar certa, ou nao. eu estava pensando em mim e apenas em mim, e nao nos demais da sociedade, pois, eu queria ser o rei, o elo primeiro da corrente para onde todos deveriam revenciar. estupido ao extermo. e queria é saborear do fruto disso tudo, pois queria q as pessoas me tratassem bem, nao queria fazer o bem para os outros apenas, ams na verdade queria fazer para mim mesmo.
e isso tavez seja humano demasiado humanos, ou talvez, nao seja nada, simplesmente nada demais. pois certa vez em um filme historico escutei a seguinte frase: " um dia vc vai se arrempender de nao ter feito um pouco de mal, em prol de um bem maior". e a ocasiao q isso foi dito era interressante, pois era no principio de uma guerra. mas esse texto fica para a proxima.
mas o q é o nada, na grecia antiga um cara disse q o nada nao existe, um filosofo alemao disse q é do nada q tudo vem, mas afinal oq é o nada? quando alguem pede para nós:" oq foi?" e nós respondemos: "nada". oq realmente estamos faland? oq é nada, a ausencia de algo, ou de tudo? se é a ausencia de tudo, logo para os q creem em algum deus, o nada realmente nao existe, pois deus esta em todos os lugares, entao se nao ha lugar sem deus, logo nao ha lugar vazio, entao nao ha um nada, la. mas se falamos no nada, estamos falando de algo, se estamos falando de algo quer dizer q talvez ele exista, ou ao menos a idea a cerca dele exista, entao ele tem q ser algo. mas como seria o nada? ele é por inteiro ou em partes? sera q nós mesmo nada somos? por muito ja pensei nisso, q o nada q pensamos talves nao seja o nada realmente, pois somos parte do nada, somos nada, somos vazios ocos, e sem ecos, pois nao ha eco no nada, pode ser q o nada seja tudo, assim como o filosofo alemao falou certa vez. é uma intrinseca mistura q a psique humana nao consegue compreender, eu acho. é complicado falar de algo metafisico, memso q a metafisica esteja mais proxima de nós q a empiria, ainda é commplicado, pois nos acostumamos com o pensamento iluministada razao, da ciencia, da empiria. mas sera q nossos sentidos realmente sao confiaveis? q essa droga do critiscismo ocidental, essa maneira cetica de pensar, como tenho é complicada, pois a unica coisa q nao nos abando na é a duvida, e isso soh aumenta nssos problemas internos, e nossa falta d compreensao interna. chegamos assim à lugar algum, e a todos ao mesmo tempo, uma sensaçao muito estranha, muito complexa de ser e estar. talvez seja esse o nada, nada pensar, nada defender, nada aceitar, tudo duvidar, nada ser.. nada; simplesmente nada, pode ser afirmado, penso, nem sempre é sinal de existencia, ou acho, mas posos estar completamente enganado, e sabe oq eu vou fazer pra tentar entender isso? nada; simplesmente nada, pois nao utilidade alguma para as pessoas e para a Terra. e se vc me perguntar qual a importancia da Terra. eu te dirrei, nenhuma simplesmente nenhuma. pois os valores sao criaçoes, e as criacoes nao tem valor algum, nao sao nada, simplesmente nada, ou como diria uma amiga:"ou nao".
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Enquanto milhões de árabes se acotovelam em Meca, unidos na única certeza de Alá, nós estamos sós. Não temos Alá; só temos o cinema americano, nossas religiões são ralas, não nos prostam a rezar para Meca, como lagartixas felizes cinco vezes por dia; vivemos dentro da angustiante democracia liberal, que nos amaldiçoa com esta liberdade inútil. Por isso, Amélie Poulain me inspirou uma lista de conselhos de auto-ajuda para nos devolver uma abjeta e deliciosíssima felicidade neste mundo sinistro. Eia! Avante, românticos sofredores, cidadãos nostálgicos do Bem, aqui vai um Alcorão substituto, um guia de sobrevivência na selva global. O princípio básico é o "Não" - a negação de evidências, a técnica de nada ver, a "conduta de evitação", como fazem os fóbicos. "Não" olhar a miséria nas ruas, evitar os menininhos nos sinais cariocas, principalmente a nova invenção dos pequenos desgraçados, fazendo malabarismos com três bolinhas para ganhar esmola, menininhos esfarrapados diante de BMWs indiferentes. "Não" olhar mães com nenéns no colo nos meios-fios e, se por acaso, entrarem em nosso campo de visão, imediatamente convocar a moral de classe média de que "essas mães podiam trabalhar, mas não o fazem por preguiça de enfrentar um tanque de roupa". "Não" ver noticiários, nem ler os jornais ácidos e veristas; não ver, por exemplo, os desgraçados sem-teto que serão expulsos à bala no Pará, enquanto o Jarbas Barbalho tem habeas-corpus. Diante da injustiça, blindar-se, lixar a alma, laquear o coração. Mas, não pensem que somente a "alienação" é um bom procedimento. Podemos ser felizes também com "ideologias". Por exemplo, diante da tal "globalização" da economia, podemos ter duas atitudes. Uma, é acreditar, lívidos de certeza, que o livre mercado vai tirar o homem de suas dores e que a riqueza choverá sobre os emergentes, como festas da uva. Esperança neoliberal. Ou, então, cheios de entusiasmo, como em Porto Alegre, acreditar que homens e mulheres com camisetas de Guevara e tocando o tambor de Mercedes Soza ou com as "veias abertas" de amor pela América Latina, como Galeano, conseguirão reverter a exclusão e a fome, apenas pelo dom mágico das palavras de ordem. Esperança de "esquerda". São as delícias do auto-engano: nas duas posições, de olhos vidrados, arfantes de certezas, evitaremos o incômodo de ver a evidente vitória do capitalismo mais bruto. Dica de felicidade: esquecer a Arte. Isso mesmo. Essa tal de "Arte" que sempre nos evocou um ideal de harmonia, essa saudade da natureza da qual nos exilamos, essa fome de eternidade tem de acabar de uma vez por todas. Abaixo Bach, Goya, Shakespeare, Rimbaud e toda uma lista negra de velhos idiotas. Devemos nos banhar nos filmes americanos, nas audições de axé music, de pagodes e raps, de bundas e garrafas, até o momento em que, tomados pela revelação pós-moderna, exclamarmos em lágrimas: "Sim, sim, Schwarzenegger, sim, techno music, sim Celine Dion, sim Phillipe Starck, sim Grisham, sim, eu vi a luz! Aleluia!" Outra dica: tirar da cabeça o velho hábito ocidental do criticismo. Aceitar tudo que nos é oferecido, com lábios trêmulos de gratidão: "Sim, sim, Silvio Santos, sim, Ratinho, sim, Edir Macedo, sim, obedecemos..."
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Entre o celibato e o casamento, o coração balança
Outro dia, d. Paulo Evaristo Arns declarou-se a favor do celibato opcional para os padres. Mas, seria difícil a vida de um padre casado. Além de servir a Deus, ter de cuidar do lar. Imaginemos um padre casado.
Entre o celibato e o casamento, o coração balança
Outro dia, d. Paulo Evaristo Arns declarou-se a favor do celibato opcional para os padres. Mas, seria difícil a vida de um padre casado. Além de servir a Deus, ter de cuidar do lar. Imaginemos um padre casado.
- Chegou tarde hoje, hein! - disse d. Silvaneide, mulher do padre, morena, seios fartos, fogosa, ex-dançarina de pagode, depois arrependida, depois beata, acendedora de velas do altar e amante do pároco, hoje casada com ele.
- Meu anjo... esta época de Natal é difícil... mais de 30 confissões...
- Confissão, o cacete!... Você fica ouvindo aquelas sacanagens ali no confessionário e depois vai se encostar naquela filhinha de Maria que ajuda na sacristia... a tal de Abigail, com aquela carinha de sonsa, beijando sua mão... Não sou cega não, meu filho...
- Estava trabalhando por dinheiro... mulher... já entrei no cheque especial... o bispo me prometeu um extra por confissões em cascata... É incrível... os pecados estão mudando... o que tem de corrupção, de cheques sem fundo... Não há mais pureza ou arrependimento... só sexo sem culpa...
- É aí que você gosta, não é?... Se excita mais com a "santinha" da sacristia...
- Meu bem, nem tenho forças... só penso em você... e nas contas a pagar...
- (Chorando) Você não me ama mais... (ela se ajoelha, lágrimas jorram).
- Meu amor... nada disso... olha... vamos sair... se eu tivesse dinheiro te levava ao Crazy Love, aquele motel novo... mas... olha, vou mostrar que te adoro, agora!... Vai pro quarto! Prepara-te para receber o sagrado sacramento do matrimônio!...
- (Debochada) Que milagre é esse? A gente não transa desde a Páscoa... Agora não quero. Nosso problema é dinheiro... Você podia pegar umas esmolas daquele cofrinho; o sacristão não fazia isso?
- Eu sou um servo de Deus! Quer que eu seja ladrão? Acordo às 5 da manhã... às 6 já estou rezando missa. A igreja está quebrada; com a crise, ninguém dá mais esmola... Eu tenho de varrer a sacristia... Vou comprar as flores mais baratas lá no Jacarezinho, de ônibus, para enfeitar os casamentos e batizados, que são as únicas graninhas que eu descolo... e ainda tenho de ouvir os xingamentos do bispo, que está com mal de Alzheimer e pensa que eu sou o Satã... Vive me exorcizando...Você pensa que é fácil? Pensa? Me dá até vontade de voltar ao celibato, ficar trancado na clausura, vendo a Xuxa na TV e chorando pra Jesus... é melhor... Olha, Silvaneide, eu me orgulho de ser honesto!...
- Você não é honesto, não... Você é burro. Vamos acabar na rua da amargura... Não estamos mais na época de São Francisco não... É mercado global, meu filho... Era do espetáculo...
- Por que os evangélicos estão com esse sucesso todo?... Porque são espertos... descolam aqueles 10 por cento ali dos otários... numa boa... cantam... dançam... Show business!
- Ontem mesmo, teu filho falou que... - aliás, ele anda com uns caras estranhos, cabeça rapada, tatuagem... - ele diz que é "anjo do inferno"... Sei lá o que é... Mas ele disse assim, na minha cara: "Papai é otário... Veja o bispo Macedo... tem TV... milhões... tudo... Eu vou entrar para a igreja evangélica... Dá um granão...!" A única pessoa que tem dinheiro aqui é a tua filha... que, aliás, vive em baile funk... diz que é popozuda... não sei onde ela arranja tanta grana...
(O padre cai chorando na poltrona esfarrapada com a mola aparecendo).
- Deus do céu!... Isto é um inferno!... (soluçando) Ontem cheguei... e a empregada estava cantando uns pontos de macumba com a cozinha cheia de velas... Umbanda na casa do padre? E a vizinhança ouvindo: "Evém, evém, Oxossi atravessando as matas!" Tem cabimento? Despede ela já!
- Eu? Despedir?... Nunca!... Empregada boa é difícil de achar... Depois, sei lá, roga aí uma praga...
(Ele chora mais alto; ela se condói).
- Meu querido... não quero te humilhar não... mas, você tem de ter ambição... Quer ver uma idéia boa? Vamos abrir uma lojinha de objetos sacros... reliquiazinhas... água benta... a gente compra as garrafinhas e você benze... você não pode benzer? Ai, que lindo... a gente ganhava um dinheirão... santinhos... gravuras... CDs de música...
- Minha filha... eu não sou comerciante...
- Ahh... imagina, querido... uma lojinha linda, cheia de velinhas e, na porta, o nome: "Presentes de Deus". Ou então... o nome em inglês, mais moderno: "God's Gifts"... ahh... Você subiria na carreira; já imaginou você bispo ou... oh, sonho louco!... você, cardeal... Nós dois em Roma... Você todo de vermelho... chiquérrimo... Nós, íntimos do papa?...
- Silvaneide... ouve... ouve bem... eu tenho um segredo para te contar... Eu pensei muito, passei noites em claro e resolvi...
- Resolveu o quê, vai me largar?...
- Não, querida, ouve!
(O pobre sacerdote começa a dançar, com os braços para cima e dando pulinhos pela sala).
- Que é isso? Enlouqueceu?
- Silvaneide... minha filha... bata palmas para Jesus!!! (chorando e rindo) Palmas para o Senhor, Silvaneide... Aleluia!! Estou aprendendo a dancinha do padre Marcelo Rossi!... Olha só... (O pároco-marido pulava e batia palmas, berrando) "Palmas para Jesus... ôôôô... palmas pro Senhor!" A Abigail, que você odeia, está me ensinando... olha só... (E pulava feito uma perereca do Senhor) Palmas para Jesus!!!
E, então, d. Silvaneide, ex-pagodeira arrependida e ex-beata apaixonada, viu de novo o seu amor ali, pulando e cantando e agarrou-se feliz ao corpo do padre amado.
- Meu amor!... este é meu homem! Vamos vencer! Já te vejo pulando diante de milhares de fiéis... vou fazer uma batina dourada pra você, com uma capa de roqueiro... Meu Rossi, meu Ozzy Osbourne, meu Xandi, meu Zeca Pagodinhho... Deus é mais!!!
*
É , d. Paulo, talvez o celibato seja mesmo melhor que o casamen
de velas do altar e amante do pároco, hoje casada com ele.
- Meu anjo... esta época de Natal é difícil... mais de 30 confissões...
- Confissão, o cacete!... Você fica ouvindo aquelas sacanagens ali no confessionário e depois vai se encostar naquela filhinha de Maria que ajuda na sacristia... a tal de Abigail, com aquela carinha de sonsa, beijando sua mão... Não sou cega não, meu filho...
- Estava trabalhando por dinheiro... mulher... já entrei no cheque especial... o bispo me prometeu um extra por confissões em cascata... É incrível... os pecados estão mudando... o que tem de corrupção, de cheques sem fundo... Não há mais pureza ou arrependimento... só sexo sem culpa...
- É aí que você gosta, não é?... Se excita mais com a "santinha" da sacristia...
- Meu bem, nem tenho forças... só penso em você... e nas contas a pagar...
- (Chorando) Você não me ama mais... (ela se ajoelha, lágrimas jorram).
- Meu amor... nada disso... olha... vamos sair... se eu tivesse dinheiro te levava ao Crazy Love, aquele motel novo... mas... olha, vou mostrar que te adoro, agora!... Vai pro quarto! Prepara-te para receber o sagrado sacramento do matrimônio!...
- (Debochada) Que milagre é esse? A gente não transa desde a Páscoa... Agora não quero. Nosso problema é dinheiro... Você podia pegar umas esmolas daquele cofrinho; o sacristão não fazia isso?
- Eu sou um servo de Deus! Quer que eu seja ladrão? Acordo às 5 da manhã... às 6 já estou rezando missa. A igreja está quebrada; com a crise, ninguém dá mais esmola... Eu tenho de varrer a sacristia... Vou comprar as flores mais baratas lá no Jacarezinho, de ônibus, para enfeitar os casamentos e batizados, que são as únicas graninhas que eu descolo... e ainda tenho de ouvir os xingamentos do bispo, que está com mal de Alzheimer e pensa que eu sou o Satã... Vive me exorcizando...Você pensa que é fácil? Pensa? Me dá até vontade de voltar ao celibato, ficar trancado na clausura, vendo a Xuxa na TV e chorando pra Jesus... é melhor... Olha, Silvaneide, eu me orgulho de ser honesto!...
- Você não é honesto, não... Você é burro. Vamos acabar na rua da amargura... Não estamos mais na época de São Francisco não... É mercado global, meu filho... Era do espetáculo...
- Por que os evangélicos estão com esse sucesso todo?... Porque são espertos... descolam aqueles 10 por cento ali dos otários... numa boa... cantam... dançam... Show business!
- Ontem mesmo, teu filho falou que... - aliás, ele anda com uns caras estranhos, cabeça rapada, tatuagem... - ele diz que é "anjo do inferno"... Sei lá o que é... Mas ele disse assim, na minha cara: "Papai é otário... Veja o bispo Macedo... tem TV... milhões... tudo... Eu vou entrar para a igreja evangélica... Dá um granão...!" A única pessoa que tem dinheiro aqui é a tua filha... que, aliás, vive em baile funk... diz que é popozuda... não sei onde ela arranja tanta grana...
(O padre cai chorando na poltrona esfarrapada com a mola aparecendo).
- Deus do céu!... Isto é um inferno!... (soluçando) Ontem cheguei... e a empregada estava cantando uns pontos de macumba com a cozinha cheia de velas... Umbanda na casa do padre? E a vizinhança ouvindo: "Evém, evém, Oxossi atravessando as matas!" Tem cabimento? Despede ela já!
- Eu? Despedir?... Nunca!... Empregada boa é difícil de achar... Depois, sei lá, roga aí uma praga...
(Ele chora mais alto; ela se condói).
- Meu querido... não quero te humilhar não... mas, você tem de ter ambição... Quer ver uma idéia boa? Vamos abrir uma lojinha de objetos sacros... reliquiazinhas... água benta... a gente compra as garrafinhas e você benze... você não pode benzer? Ai, que lindo... a gente ganhava um dinheirão... santinhos... gravuras... CDs de música...
- Minha filha... eu não sou comerciante...
- Ahh... imagina, querido... uma lojinha linda, cheia de velinhas e, na porta, o nome: "Presentes de Deus". Ou então... o nome em inglês, mais moderno: "God's Gifts"... ahh... Você subiria na carreira; já imaginou você bispo ou... oh, sonho louco!... você, cardeal... Nós dois em Roma... Você todo de vermelho... chiquérrimo... Nós, íntimos do papa?...
- Silvaneide... ouve... ouve bem... eu tenho um segredo para te contar... Eu pensei muito, passei noites em claro e resolvi...
- Resolveu o quê, vai me largar?...
- Não, querida, ouve!
(O pobre sacerdote começa a dançar, com os braços para cima e dando pulinhos pela sala).
- Que é isso? Enlouqueceu?
- Silvaneide... minha filha... bata palmas para Jesus!!! (chorando e rindo) Palmas para o Senhor, Silvaneide... Aleluia!! Estou aprendendo a dancinha do padre Marcelo Rossi!... Olha só... (O pároco-marido pulava e batia palmas, berrando) "Palmas para Jesus... ôôôô... palmas pro Senhor!" A Abigail, que você odeia, está me ensinando... olha só... (E pulava feito uma perereca do Senhor) Palmas para Jesus!!!
E, então, d. Silvaneide, ex-pagodeira arrependida e ex-beata apaixonada, viu de novo o seu amor ali, pulando e cantando e agarrou-se feliz ao corpo do padre amado.
- Meu amor!... este é meu homem! Vamos vencer! Já te vejo pulando diante de milhares de fiéis... vou fazer uma batina dourada pra você, com uma capa de roqueiro... Meu Rossi, meu Ozzy Osbourne, meu Xandi, meu Zeca Pagodinhho... Deus é mais!!!
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É , d. Paulo, talvez o celibato seja mesmo melhor que o casamento.